sarinha

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Cantos e encantos do sertão

Finalmente o ciclo do inverno se fechou e com ele a estiagem de meses também desapareceu. O clima seco de quase deserto da lugar a uma temperatura húmida e agradável.
A primavera trouxe-nos as primeiras chuvas tão aguardadas.
A natureza, agradecida, devolve ás plantas os verdes de todos os tons e os flamboyansts são os primeiros a mostrarem os seus contentamento aquarelando em vermelho, laranja e amarelo os diversos pontos da cidade.
Também os pássaros entram nessa sinfonia de cores e sons. Toda manhã, muito antes do sol nascer, numa palmeira próximo de minha casa, ouço embevecido o cantar melodioso do sábia.Canta para encantar. Encanta a sua amada enquanto contrói o ninho para o acasalamento dando prosseguimento ao ciclo da vida.
Morando na roça, as primeiras chuvas eram por demais esperadas. porque elas determinava o inicio do plantio,Mas para o caboclo, era muito mais que isso. Era sinal de dias fartos.
Nas tardes húmidas e quentes da primavera, bem antes do anoitecer, ouvia-se em todos os galhos e troncos de todas as árvores o canto estridentes da cigarra.Nós meninos encantados pelos sons, corria-mos em direção aos troncos para avistar os enormes insetos.Os caboclo diziam que só o macho cantava O Aurélio confirmou como sempre  o que os caipira com sua sabedoria popular  já diziam com razão.
Quanta magia! Que encanto!poder ouvir o canto das cigarras anunciando o crepúsculo. O que mais nos deixavam encabulados era encontrar aqui e ali, grudados nos troncos das árvores as cascas das cigarras. Os mais velhos diziam que elas cantavam até se partirem ao meio e nos garotos acreditávamos. Anos mais tarde fui descobrir que a exemplo da cobra, elas também trocam de pele.
E dando sequência à  magia de mostrar na roça, quando cessava o cantar das cigarras ao escurecer, surgiam poer entre as árvores centenas de espaçonaves intergalacticas com seus faróis alumiando em todas as direções e nos meninos com olhos infantis, aguardávamos com mãos ansiosas a aproximação das naves para a captura.
Sim, para as crianças da roça os vaga lumes eram criaturinha saídas do mundo dos sonhos  e se materializavam ante o deslumbramento dos meninos e meninas correndo por entre os pomares, em busca do tão almejado troféu. para caça-los, todos em coro entoava-mos uma cantiga que ecoava nas noites escura dos sertão: bagalum tem tem teu pai ta aqui e tua mãe também! De posse de tais criaturinha, que era mostradas como troféu, nos os colocavam em vidros transparentes para alumiar o pequeno quarto onde deitados sobre o cochão de palha, depois de tanto correr atraz  dos bagaluns, dormia-mos esquecidos da vida.
Ao dormir, sonhava-mos que estava-mos montados no torço de um bagalum  descobrindo outras terras, outros paises.......Quem sabe outros planetas? Os grandes faróis dos pirilampos serviam para clarear as aventuras nos sonhos do imaginário infantil assim conquistar as nações. Ao conquista-las, o menino tinha em mente um só desejo:A paz entre os homens.
Pena. O menino cresceu. Nos crépuscolos já não se ouvi mais o canto das cigarras e nas noites estreladas do sertão não voam mais os bagalum. Parafraseando Fernando Sabino e para não perder a rima: "Jocelino, o homem que nasceu velho e morreu menino."

Jocelino Soares Artista plástico;membro da academia Rio-Pretense de letras e cultura                           
( Texto escrito em 17 de Outubro, 2010, no Jornal Diário da Região folha 2A)
Beijo da tia Sara